Tuesday, November 01, 2016

BANANAS

Ela descascou as bananas. Todas elas! Estavam no cesto fazia um certo tempo, agora já com as cascas pretas, algumas até com a consistência de geléia. Mas ela ficaria muito triste em ter que jogá-las fora só pela feiura e manuseio desagradável .Não conseguiria.
Depois de descascadas, picou todas em rodelas finas, encheu uma bacia. Estava decidido: faria um bolo.

É bem verdade que já se passaram muitos anos desde a 1ª vez que pensou em ser dona de seu próprio negócio. Sim, ela já quis ser dona de buffet – “bifê” como a ensinaram ler a palavra - empreendimento que daria acesso a todos os bolos que quisesse comer.

Mas ela não virou dona de buffet, não virou dona de nenhum negócio. Trabalhava para o negócio dos outros, para empresas dos outros. Os bolos que já quis fazer e comer aos 8 anos de idade dificilmente passariam pelo seu cardápio hoje, pelo menos não desprovidos de culpa.

A moça trabalhava com números, trabalhava com lógica. Pelo menos era no que acreditava. A verdade era que ela trabalhava muito, muito mesmo, em qualquer coisa que decidisse fazer, mesmo que não carregasse o nome de “cargo”  e mesmo  a “coisa” não sendo responsável em adicionar nenhum valor à sua renda mensal.

Ela acreditava que pessoas eram para convívio, eram para ser pessoas, eram para ser escolhidas e não ferramentadas, manipuladas, usadas, adestradas. Daí a escolha pelos números, pela engenharia, pelos sistemas. Ledo engano: pessoas circudavam as esferas de todos estes números, maquinários e lógica.

Ela viu pessoas adoecendo outras pessoas e também viu pessoas sendo fonte inesgotável de inspiração e modelo de vida. Ela viu pessoas doando o que não tinham e pessoas tirando o que não precisavam. Ela viu pessoas tentando diminuir outras para parecerem maiores e pessoas de extrema humildade enaltecerem as qualidades ,até então desconhecidas dos virtuosos, só para que vissem o quão alto haviam sido capazes de escalar na vida, lhes conferindo o sopro de confiança tão necessário para prosseguir.
E a todo momento ela queria ser melhor, não do que os demais, mas a melhor de si mesma. Ela queria ser uma essência melhor, livre, porém util. Ela ficou cansada, muito cansada. Ela estava cansada. Ela está. Mas precisava se recompor. Respirou fundo e soltou o ar devagar.

A bacia de bananas picadas ficou na geladeira por 2 dias e meio até que a decisão virou ação. Levou ao menos 1 hora para assar. Ela tirou da forma e foi direto para a geladeira. Tirou uma foto para registrar como sempre gostou de fazer.
Usou os igredientes que quis. Não seguiu nenhuma receita.


A vida por acaso tem alguma?


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